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10/19/2018

O CHORO DEPRESSIVO

     Muitas vezes me veio uma tristeza enorme, não tinha controle e muito menos sabia do que se tratava. Não conseguia segurar o choro e os olhos enchiam de lágrimas. Chorava! Sem razão, sem motivo, sem o porque. 

     O choro de certa forma me dava uma alivio no peito, era como se eu estivesse colocando para fora a dor que eu nem sei de onde veio. Mas muitas vezes eu queria segurar o choro para não ficar exposta e ter que explicar para todos o que estava acontecendo. Um dos melhores lugares para chorar é embaixo do chuveiro, lá eu tinha privacidade e podia ficar comigo mesmo, o melhor é que eu saia com a cara toda vermelha mas ninguém perguntava nada pois é comum em um banho quente. 

     Antes de dormir havia se tornado rotina, chorar para poder fechar os olhos. Quase todos os dias eu fazia isso, a insônia me perseguiu por anos e o choro sempre me relaxava e me ajudava a não ver o dia clarear. 

QUANDO O CHORO NÃO ACABA


     Quando alguém me via chorando eu sabia que teria que explicar o que nem eu mesmo entendia, era horrível mas de certa forma fazia com que o choro acabasse mais rápido. Na solidão do meu quarto o choro era constante e longo, dificilmente parava ou eu adormecia ou continuava chorando. Na verdade eu não fazia questão de parar de chorar, no fundo eu acredita que quanto mais eu chorar mais colocarei para fora e assim iria me livrar daquele sofrimento, não foi bem assim, o choro aliviava mais no dia seguinte a dor estava lá, no mesmo lugar e com a mesma intensidade. 

     Eu sabia que precisava reagir, eu sabia de certa forma que eu precisa conter aquele choro e fazer algo de importante, comecei a escutar músicas, o pior é que sempre escolhia aquelas triste e o choro só agravava, a tristeza havia tomado conta e nem mesmo era capaz de escolher uma boa música. 

     Não desistia, eu queria mudar aquilo, já chega de tanta dor e tanto choro, comecei a procurar pessoas que eu tinha carinho muito grande e tentar conversar, colocar para fora, ajudava mas ainda não era o suficiente, eu sabia que uma terapia ali faria toda diferença, mas não estava disposta a falar, então mantive do jeito que estava. 

     Certa vez eu estava muito mal e todos que eu havia conversado pareciam que já não aguentavam mais aquele lenga lenga, então entrei na internet atrás de ajuda. Na época morava em Portugal e descobri o Disk Amizade, é uma ONG que apoia pessoas com pensamentos suicidas. Comecei a conversar com ela por e-mail e assim mantenho até hoje, ela já me pediu para ligar para conversar melhor, mas ainda prefiro a escrita, falar me incomoda um pouco, talvez mais para frente, agora não. Adoro falar com ela, é como se fosse minha terapeuta, quando estou ficando melhor sinto que os e-mails começam a ficar mais curto e sei que é a hora de seguir, acho que deveríamos implementar uma terapia escrita, afinal, falar DOÍ.  

A DEPRESSÃO NÃO ME DEIXA PENSAR

    Umas das alterações que observei com a depressão foi o meu pensamento, o meu raciocínio, a minha memória. Tudo muda, claro, esta ligando diretamente. Busquei diversas formas de reverter, parecia que nunca ia voltar ao normal, tinha esquecido quase tudo e dificilmente consiga assimilar alguma coisa. Mas, nada é para sempre. Ainda bem!


ESQUECIMENTO


    Por varias vezes pessoas vinham falar comigo lembrando fatos que havia ocorrido e sempre ficava com aquele ponto de interrogação, tentando lembrar da cena e não conseguia. No começa achava que eles estavam loucos e que de fato isso nunca aconteceu, mas quando mostravam fotos ou até mesmo falas que eu utilizei, comecei a ficar preocupada. Por que estava esquecendo de tudo? 

    Pensei na internet e comecei a ir atrás desse assunto, sim, é normal esquecer das coisas. Isso me deixou um pouco tranquila e ao mesmo tempo preocupada. Pensei que minha memória estava comprometida, mas não estava, ela voltaria ao normal assim que a depressão fosse desaparecendo. 

    Além de esquecer o passado, muitas vezes estava no meio de uma conversa e simplesmente esquecia do que eu estava falando, vinha um branco e não tinha nada que fizesse eu voltar a lembrar. Fica envergonhada pois na maiorias das vezes as pessoas achavam isso estranho e eu não sabia o que explicar. Acho que isso fez com que eu me fechasse um pouco e evitasse qualquer diálogo com as pessoas ou até mesmo assunto complexos, algo que sempre adorei debater. 

    Hoje em dia não tenho mais apagões no meio da conversa, comecei a controlar meus pensamentos e manter o foco do inicio ao fim, foi difícil, mas o importante é não pensar em nada além do assunto que esta sendo abordado, isso me ajudou muito.


RACIOCÍNIO


     Pensar, pensar e pensar, algo que sempre adorei fazer mas que se tornou uma tortura. Parecia que havia um bloqueio no meu cérebro e não conseguia pensar em nada, escrever muito menos, nada saia, a única solução que eu encontrava era deitar e tentar acalmar meu cérebro e parecia que tinha entrado em til ti. 

    Eu me cobrava muito quanto a isso, não aceitava a ideia que eu não conseguia pensar em nada, me sentia um vegetal e claro piora a minha situação. Bem, comecei a aceitar que meu cérebro as vezes parava, simplesmente entrava em greve, nada de criativo ou de bom saia dele, como se tivesse entrado em férias. 

     Quando ele para eu dou o direito dele parar, afinal deve estar sobrecarregado e precisando espairecer, então sento em um lugar agradável, fico em silêncio comigo mesmo ou coloco uma música e espero o tempo dele, teve vezes que demorou 2 dias para voltar a funcionar, é meio assustador, confesso, mas fazer o que? Deixa ele descansar um pouco. 

     Não está como deveria mas está melhorando, não cobrar ele me facilita muito e faz com que ele fique mais calmo, o mais engraçado é eu falar dele como se fosse outra pessoa e não parte de mim, mas como fica tudo muito confuso, prefiro tentar entender do simplesmente cobrar.